Pelas veredas do Guimarães: Rosas Parte VI
Explico ao senhor: andando por esse sertão do Guimarães,
não sei se acredita na minha pessoa, mas, ora, encontrei rosas. Ah, eu sei que
não é possível, mas “cada um só vê e entende as coisas dum seu modo”. Mire
veja:
Sobre sentir:
“Quem
muito se evita, se convive.”
“Artes
que havia uma alegria. Alegria, é o justo.”
“Amigo
pra mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual a
igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e
todos os sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de
saber o por quê é que é.”
“Quis
falar em coração fiel e sentidas coisas. Poetagem. Mas era o que eu sincero
queria – como em falas de livros, o senhor sabe: bel-ver, bel-fazer e bel-amar.”
“Confiança
– o senhor sabe – não se tira das coisas feitas ou perfeitas: ela rodeia é o
quente da pessoa.”
“Eu
vinha pensando, feito toda alegria em brados pede: pensando por prolongar. Com
toda alegria, no mesmo do momento, abre saudade. Até aquela – alegria sem
licença, nascida esbarrada. Passarinho cai de voar, mas bate suas asinhas no
chão.”
“Só
no coração meu podia mais. O corpo não translada, mas muito sabe, adivinha se
não entende.”
“O
cerrado estrondava. No mato, o medo da gente se sai ao inteiro, um medo
propositado.”
“Ah,
porém, estaquei na ponta dum pensamento, e agudo temi, temi. Cada hora, de cada
ida, a gente aprende uma qualidade nova de medo!”
“Carece
de ter coragem. Carece de ter muita coragem.”
“Me
fez um receio, mas só no bobo do corpo, não no interno das coragens.”
“...não
tinha sono, tudo em mim era nervosia.”
“Que
qual, agora não se podia mais ter outros lados. Agora era só gritar ódio, caso
quisesse, e o ar se estragou, trançado de assovios de ferro metal.”
“Desespero
quieto ás vezes é o melhor remédio que há. Que alarga o mundo e põe a criatura
solta. Medo agarra a gente é pelo enraizado. Fui indo. De repente, de repente,
tomei em mim o gole de um pensamento – estralo de outro: pedrinha de outro. E
conheci o que é socorro.”
“Cansaço
faz tristeza, em quem dela carece.”
““Eu tinha receio de que me achassem de
coração mole, soubessem que eu não era feito para aquela influição, que tinha
pena de toda cria de Jesus.”
“Perdoar
é sempre o justo e certo.”
“Digo
ao senhor. Mas o senhor releve eu estar glosando assim a seco essas coisas de
se calar no preceito devido. Agora: o tudo que eu conto, é porque acho que é
sério e preciso.”
“Não
tenho a caixeta da raiva aberta. Rixava com nenhum...”
“Hê, de medo, coração bate solto no peito; mas
de alegria ele bate inteiro e duro, que até dói, rompe para diante na parede.”
“Acho
que eu não tinha conciso medo dos perigos: o que eu descosturava era medo de
errar – de cair na boca dos perigos por minha culpa. Hoje, sei: medo meditado –
foi isto. Medo de errar. Sempre tive. Medo de errar é que é a minha paciência.
Mal. O senhor fia? Pudesse tirar de si esse medo de errar, a gente estava
salva. O senhor tece? Entenda meu figurado.”
“...travei
o que tive vergonha.”
“Moço:
toda saudade é uma espécie de velhice.”
“Se
nem toda a vez cumpri, ressalvo é as poesias do corpo...”
“Daquele
curto lisim de dúvidas foi que minou meu maisquerer.”
“Para que conto isso ao senhor? Vou longe. Se
o senhor já viu disso, sabe; se não sabe, como vai saber? São coisas que não
cabem em fazer ideia.”
“Era.
Mas o dito, assim, botava surpresa.”
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