Pelas veredas do Guimarães: Rosas Parte I


Explico ao senhor: andando por esse sertão do Guimarães, não sei se acredita na minha pessoa, mas, ora veja, encontrei rosas. Ah, eu sei que não é possível, mas “cada um só vê e entende as coisas dum seu modo”. “Porque, nos gerais, a mesma raça de borboletas, que em outras partes é trivial regular – cá cresce, vira muito maior, e com mais brilho, se sabe”. Mire veja:
Sobre Deus:
“Deus espera essa gastança. Moço!: Deus é paciência. O contrário, é o diabo. Se gasteja.”
“Deus não se comparece com refe, não arrocha o regulamento. Pra que? Deixa: bobo com bobo – um dia, algum estala e aprende: esperta. Só que, às vezes, por mais auxiliar, Deus espalha, no meio, um pingado de pimenta...”
“E, outra coisa: o diabo é às brutas; mas Deus é traiçoeiro! Ah, uma beleza de traiçoeiro – dá gosto! A força dele, quando quer – moço! – me dá o medo, pavor! Deus vem vindo: ninguém não vê. Ele faz é na lei do mansinho – assim é o milagre. E Deus ataca bonito, se divertindo, se economiza.”
“Senhor sabe: Deus é definitivamente; o demo é o contrário Dele...”
“Estremeço. Como não há Deus?! Com Deus existindo, tudo há esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra... Tendo Deus é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dor... O senhor não vê? O que não é Deus é estado de demônio. Deus existe mesmo quando não há...”
“E dar tudo a Deus, que de repente vem, com novas coisas mais altas, e paga e repaga, os juros dele não obedecem medida nenhuma.”
 “Aí, falei dos pássaros, que tratavam do seu voar antes do mormaço. Aquela visão dos pássaros, aquele assunto de Deus.”

“Era. Mas o dito, assim, botava surpresa.”

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