Memórias Póstumas de Noel Rosa
Este é o título do livro de Luciana Sandroni dirigido ao público juvenil, editado pela Companhia das Letrinhas em 2014. Traz ilustrações de Gustavo Duarte, lembrando as autocaricaturas de Noel Rosa. Além de toda riqueza de texto e imagens, apresenta ao final uma série de partituras de Maria Clara Barbosa, acompanhada das letras do sambista carioca.
O subtítulo, “Uma longa conversa entre Noel e São Pedro
num botequim lá do céu”, mostra o tom de carnavalização da obra, em citação ao
samba noelino “Festa no Céu”, reforçado pela referência explícita, no título, ao
livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Assim como no
livro do Bruxo do Cosme Velho, o texto de Sandroni traz um prólogo explicativo
da autora sobre as memórias que virão adiante, apresentando o narrador, o
boêmio Noel, e seu interlocutor celeste. E no som de toda a narrativa, pode-se
perceber que também foi escrita com certa “pena de galhofa e tinta de
melancolia”, como em Brás Cubas.
Elemento comum aos dois livros também é o contexto
carioca. Machado e Noel foram figuras eminentemente ligadas às paisagens e
vivências do Rio de Janeiro, embora suas obras tenham raízes na universalidade.
No caso das memórias de Noel, percebe-se a história do samba, os grandes nomes,
as muitas parcerias, as eternizadas composições, a boemia.
No prólogo de Sandroni fica explícita a intenção do
livro: despertar na juventude o interesse pela obra do compositor, conhecendo
os principais temas do enredo de sua vida e obra. O escritor-narrador insiste no
mote “Seu leitor, faça o favor...”, brincando duplamente com o interlocutor
celeste e os leitores imaginados, lembrando uma de suas mais conhecidas canções
“Conversa de Botequim”, já sugerida no subtítulo.
Ao longo do livro, Noel se apresenta em muitos trajes de
sua história pessoal, tentando corresponder ao convite de São Pedro para compor
no céu as suas memórias. E é o santo que vai dando as coordenadas para o samba
póstumo:
“Meu
terno já virou estopa
E eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou
E eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou
Pro samba que você me convidou?”
Vale a pena ler o livro, vale a pena conhecer um pouco
mais do sambista, vale a pena sambar com ele nessa festa.
Seu leitor, faça o favor de ler depressa.
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