De Jesus, biografias e mulheres.


Releio o livro bíblico de Mateus. O autor biografa a vida de Jesus de Nazaré, com quem conviveu por cerca de três anos, caminhando pelas terras da Palestina.
Busca mostrar Jesus como alguém de quem o povo judeu já tinha ouvido falar ao longo de séculos, e faz questão de atestar que nele se cumpria a grande expectativa de seus conterrâneos sobre o Messias. O livro começa com uma genealogia de Jesus, ressaltando sua linhagem de ascendência, a partir do patriarca Abraão e, posteriormente, do Rei Davi, marcos históricos fundamentais para aquele povo.
Mateus, porém, faz o que provavelmente os biógrafos de sua época não fariam. Inclui nessa listagem nomes de mulheres. Observei algumas traduções. Esses nomes aparecem dentro de expressões adjetivo-explicativas, às vezes entre vírgulas, outras, entre parênteses.
Mais curioso ainda, essas personagens eram dignas de serem ignoradas naquele tempo por serem mulheres e por suas biografias não socialmente recomendáveis: ou eram estrangeiras ou viveram relações sexuais ilícitas.
Finaliza a listagem com Maria. José aparece como seu marido. E, diz o texto bíblico, foi dela que veio o Cristo.
Parece que o biógrafo de Jesus de Nazaré, desde o início, desejava expressar o quanto esse personagem agregador da história trazia de confrontação aos caminhos humanos permanentemente cristalizados para se viver por aqui. Ele acolheu humanamente as mulheres que ao longo da história às vezes nem ficaram restritas a parênteses. 
Vale leitura e releituras.

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