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O direito de escolher a própria vida ou que língua, hein?!

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Li recentemente uma matéria do El País sobre uma jornalista americana que publicou um livro, fenômeno de venda nos EUA: Solteirona, o Direito de Escolher a Própria Vida  ( Spinster: Making a Life of One's Own , no título original em inglês). Trata-se de um ensaio que é um mix de relato de experiência com dados sobre o tema. Kate Bolick parece não temer o rótulo pejorativo e o assume com orgulho. Muitas matérias na mídia nacional dos últimos tempos me fizeram pensar sobre a condição da mulher na nossa sociedade ainda hoje: além dos comentários sobre o livro da jornalista, o recente caso de barbárie ocorrida com uma jovem no Rio de Janeiro; as mais diferentes observações sobre a atual primeira dama do Planalto; a nova propaganda de beleza da Natura; as recém-lançadas Barbies, que contemplam diferentes modelos corporais etc. A verdade é que, em pleno século XXI, com tantos discursos progressistas sobre a questão de gênero, percebo que a mulher é ainda vítima de um olhar não ...

Nise: o coração da leitura

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Em muitas salas de exibição pelo país afora, o filme “Nise: o coração da loucura” está em cartaz, uma homenagem cinematográfica à Dra. Nise da Silveira, promotora de uma nova forma de tratamento aos pacientes de esquizofrenia no Brasil, abrindo mão dos tratamentos tradicionais de eletrochoque e lobotomia. O filme é encenado por Glória Pires no papel principal, com direção de Roberto Berliner. Conta ainda com a presença de Simone Mazzer, Julio Adrião, Claudio Jaborandy, Fabrício Boliveira, Roney Villela, Flavio Bauraqui, Bernardo Marinho, Augusto Madeira, Felipe Rocha, Roberta Rodrigues, Georgiana Góes, Fernando Eiras, Charles Fricks e mais. F oi exibido no ano passado no Festival do Rio e no Festival Internacional de Tóquio, quando ganhou os prêmios de melhor filme e melhor atriz para Glória Pires. É emocionante, pela qualidade da produção cinematográfica, mas também por popularizar o trabalho de Nise, primeira mulher brasileira a se formar em Medicina, além de presa política ...

Pelas veredas do Guimarães: Rosas Parte VII

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Explico ao senhor: andando por esse sertão do Guimarães, não sei se acredita na minha pessoa, mas, ora veja, encontrei rosas. Ah, eu sei que não é possível, mas “cada um só vê e entende as coisas dum seu modo”. “Porque, nos gerais, a mesma raça de borboletas, que em outras partes é trivial regular – cá cresce, vira muito maior, e com mais brilho, se sabe”. Mire veja: Sobre as histórias:  “A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância. De cada vivimento que eu real tive, de alegria forte ou pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa... Assim eu acho, assim é que eu conto. O senhor é bondoso de me ouvir. Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data. O senhor mesmo sabe.” “Para que referir tudo no narrar, por menos e menor?... Mesmo o ...

Pelas veredas do Guimarães: Rosas Parte VI

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Explico ao senhor: andando por esse sertão do Guimarães, não sei se acredita na minha pessoa, mas, ora, encontrei rosas. Ah, eu sei que não é possível, mas “cada um só vê e entende as coisas dum seu modo”. Mire veja: Sobre sentir: “Quem muito se evita, se convive.” “Artes que havia uma alegria. Alegria, é o justo.” “Amigo pra mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual a igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e todos os sacrifícios. Ou – amigo – é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é.” “Quis falar em coração fiel e sentidas coisas. Poetagem. Mas era o que eu sincero queria – como em falas de livros, o senhor sabe: bel-ver, bel-fazer e bel-amar.” “Confiança – o senhor sabe – não se tira das coisas feitas ou perfeitas: ela rodeia é o quente da pessoa.” “Eu vinha pensando, feito toda alegria em brados pede: pensando por prolongar. Com toda alegria, no mesmo do momento, abre saud...

Pelas veredas do Guimarães: Rosas Parte V

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Explico ao senhor: andando por esse sertão do Guimarães, não sei se acredita na minha pessoa, mas, ora, encontrei rosas. Ah, eu sei que não é possível, mas “cada um só vê e entende as coisas dum seu modo”. Mire veja: Sobre pensar: “A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem misturam. De cada vivimento que eu real tive, de alegria forte ou pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa.” “Só que uma pergunta, em hora, às vezes, clareia razão de paz.”  “De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos... quem mói no asp’ro, não fantasêia. Mas agora, feita a folga que me vem, e sem pequenos dessossegos, estou de range rede. E me inventei neste gosto, de especular ideia.” “Vi muitas nuvens”. “Tive de.” “Sou só um sertanejo, nessas altas idéias navego mal... Inveja minha pura é de uns conforme o senhor, com toda leitura e suma dout...

Pelas veredas do Guimarães: Rosas Parte IV

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Explico ao senhor: andando por esse sertão do Guimarães, não sei se acredita na minha pessoa, mas, ora veja, encontrei rosas. Ah, eu sei que não é possível, mas “cada um só vê e entende as coisas dum seu modo”. “Porque, nos gerais, a mesma raça de borboletas, que em outras partes é trivial regular – cá cresce, vira muito maior, e com mais brilho, se sabe”. Mire veja: Sobre humanos: “Coração da gente – o escuro, escuros.” “Coração cresce de todo lado. Coração vige feito riacho colominhando por entre serras e varjas, matas e campinas. Coração mistura amores.” “De mim, toda mentira aceito. O senhor não é igual? Nós todos...” “A gente viemos do inferno... Duns lugares inferiores, tão monstro-medonhos, que Cristo mesmo lá só conseguiu aprofundar por um relance a graça de sua sustância alumiável... Que lá o prazer trivial de cada um é judiar dos outros, bom atormentar; e o calor e o frio mais perseguem; e até respirar custa dor; e nenhum sossego não se tem. Se creio? Acho pros...

Pelas veredas do Guimarães: Rosas Parte III

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Explico ao senhor: andando por esse sertão do Guimarães, não sei se acredita na minha pessoa, mas, ora veja, encontrei rosas. Sobre viver: “Viver é negócio muito perigoso...”  “Uma coisa é pôr ideias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil-e-tantas misérias... Tanta gente – dá susto se saber – e nenhum se sossega: todos nascendo, crescendo, se casando, querendo colocação de emprego, comida, saúde, riqueza, ser importante, querendo chuva e negócios bons...”  “O senhor sabe: o perigo que é viver...” “Viver nem não é muito perigoso?”  “Jagunço é isso. Jagunço não se escabreia com perda nem derrota - quase que tudo para ele é igual. Nunca vi. Pra ele a vida já está assentada: comer, beber, apreciar mulher, brigar, e o fim final. E todo mundo não presume assim?” “O senhor deve de ficar prevenido: esse povo diverte por demais com a baboseira, dum traque de jumento formam tufão de ventania. Por gosto de rebuliço. Querem-porque-...