Nise: o coração da leitura


Em muitas salas de exibição pelo país afora, o filme “Nise: o coração da loucura” está em cartaz, uma homenagem cinematográfica à Dra. Nise da Silveira, promotora de uma nova forma de tratamento aos pacientes de esquizofrenia no Brasil, abrindo mão dos tratamentos tradicionais de eletrochoque e lobotomia.
O filme é encenado por Glória Pires no papel principal, com direção de Roberto Berliner. Conta ainda com a presença de Simone Mazzer, Julio Adrião, Claudio Jaborandy, Fabrício Boliveira, Roney Villela, Flavio Bauraqui, Bernardo Marinho, Augusto Madeira, Felipe Rocha, Roberta Rodrigues, Georgiana Góes, Fernando Eiras, Charles Fricks e mais. Foi exibido no ano passado no Festival do Rio e no Festival Internacional de Tóquio, quando ganhou os prêmios de melhor filme e melhor atriz para Glória Pires.
É emocionante, pela qualidade da produção cinematográfica, mas também por popularizar o trabalho de Nise, primeira mulher brasileira a se formar em Medicina, além de presa política durante o Estado Novo pelas leituras que fazia. Ao sair da prisão, foi localizada no hospital psiquiátrico de Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, onde hoje ainda existe o Museu de Imagens do Inconsciente, e, rechaçada preconceituosamente por seus colegas de profissão, se viu relegada ao trabalho de Terapia Ocupacional.
Com essa agenda, revolucionou o atendimento no hospital, dando vida a um espaço físico apendicionado à instituição. Criou uma terapia de trabalho com pintura e modelagem, por meio do diálogo com os pacientes, valorizando o afeto e a escuta generosa, baseados sobretudo na teoria de Carl Gustav Jung, com quem trocou correspondências ao longo de seu trabalho. Nise preconizou ainda o tratamento via contato com animais de estimação e o semi-internato.
Muitas cenas do filme são contagiantes, e os atores que fizeram os pacientes tratados por Nise, tiveram também uma expressiva atuação. Detacam-se as cenas coletivas, em que o grupo experimenta se vestir sem os uniformes do hospital e aprecia criar suas próprias indumentárias, maquiagens, vivenciando papéis que afloravam de seus desejos mais íntimos. Também o brincar na chuva, o adotar e o perder os cachorros, quando os “donos” do hospital fizeram o extermínio deles.
Ver o filme é um banho de conhecimento, cultura e principalmente sensibilidade. Bom é ter mulheres como Nise que se importam com aqueles que não têm nenhuma expressão de “produtividade”, segundo os padrões das dominâncias por aí afora. Bom é que existam artistas que se preocupem em mostrar isso a outros.


Comentários

  1. Assiste e amei!!! Maravilhoso!!! A história de vida de Nise da Silveira serve de inspiração para todos nozes!valeu fulô...cheirin

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  2. Assiste e amei!!! Maravilhoso!!! A história de vida de Nise da Silveira serve de inspiração para todos nozes!valeu fulô...cheirin

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