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De dentro pra fora

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A técnica narrativa de desnudar a consciência dos personagens se concretiza de muitas maneiras na literatura e no cinema também. No entanto, a Disney/Pixar abusou da criatividade para contar uma história dando vida às tramas interiores de uma personagem. É o que acontece na animação Inside out, ou, na nossa versão brasileira, Divertida mente, do diretor Pete Docter , conhecido por outras importantes produções de animação . Aparentemente poderia ser uma produção apenas para a infância, mas o argumento do filme é bem consistente, apoiado em diversas teorias científicas sobre o funcionamento da psiquê humana, e agrada a pessoas de qualquer idade. Trata-se da história de Riley, uma garota de 11 anos. A narrativa mostra as vivências da menina desde bebê, até alcançar um episódio que é determinante para toda a trama, quando sua família precisa mudar de Minessotta para São Francisco, por causa do trabalho do pai. Com a mudança, Riley se sente perdendo amigos, escola, seu time d...

Pausa

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Passeando pelas brasilidades e misturas dos ritmos nacionais, Airô Barros, pernambucana de Capoeiras/PE, que morou por mais de 20 anos em São Paulo e hoje fez pouso em Araucária/PR, lança seu mais novo CD. O trabalho foi gravado por meio de financiamento coletivo, uma saída para artistas independentes, como ela. Airô conta com um time de músicos de primeira: Fernando Merlino (arranjos e piano), Jaime Alem (violões e viola), Pantico Rocha (bateria e percussão), Bororó (baixo), João Bani Sá Teles (percussão), Leonardo Amuedo (guitarra), Zé Américo (sanfonas), Luciano Corrêa (Violoncelo), Daniel Garcia e Júlio Merlino (Flauta Transversal). A voz grave e firme da poeta, de veia nordestina e de contadora de histórias, ganhou a moldura especial dos arranjos cuidadosos de Fernando Merlino, que esbanjou graça, inclusive na regravação de Pasárgada , cujo primeiro arranjo é também dele, no belo álbum A poesia caminha , de Gladir Cabral e Jorge Camargo. Pasárgada veste roupa mais leve ...

Da luta pela igualdade

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Assisti ao filme "Selma: uma luta pela igualdade", bela produção sobre a trajetória de Martin Luther King Jr. e seus colaboradores, numa cidade do Alabama, a favor da liberdade de exercício do direito ao voto também para os afro-americanos. O filme é um soco permanente na cara, porque faz pensar sobre os caminhos que nos levam à violência. Uns mais visíveis, porque físicos e verbais; outros, simbólicos, sutis, em pequenos atos, acordos e tramas. Uma realidade que sempre existiu e é a forma como os desumanos criam situações para a disseminação do ódio, caminhos que só se aperfeiçoam e radicalizam, desde sempre. O bom da narrativa do filme é mostrar a luta em favor da vida, de um homem consciente a respeito dos desafios de seu tempo e espaço, para não deixar que esse ódio se disseminasse nele mesmo. Para quem conhece apenas o discurso de King “Eu tenho um sonho” ou os registros dos livros didáticos a respeito de um dos maiores ativistas de direitos humanos dos EUA, não...

El baile de la victoria

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Este é o título original do filme “A bailarina e o ladrão” , de Fernando Trueba, baseado em novela de Antonio Skármeta, autor também de “O carteiro e o poeta”. A trama se passa no Chile, em tempos de abertura democrática, pós Pinochet, que previu a anistia para presos por crimes não sangrentos. Neste contexto, são apresentados os dois personagens masculinos principais, em recente liberdade, um leve paralelo com o recomeço da nação chilena. Um deles, vivido pelo fantástico Ricardo Darín, é Vergara Grey, famoso ladrão de cofres, que saiu da prisão pensando apenas reconstruir sua vida com a família. “O destino vai me unir à minha esposa e filho” é uma de suas frases iniciais. Outro, o mais jovem, Ángel Santiago, retorna do cárcere pensando realizar um grande roubo planejado na cadeia. Ambos terão seus planos mudados. E a arte imita a vida com sensibilidade aqui. Grey encontra a ex-mulher e filho integrados em nova configuração familiar e fica sem norte. Santiago conhece uma ...

Um texto que me fala

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Viro a última capa do livro de Saramago, A maior flor do mundo. Incomum, porque livro como de criança. Ele, autor laureado com o Prêmio Nobel de 1998,  recentemente falecido, alto representante da literatura portuguesa, mundialmente importante e considerado um escritor sério. Abro mais uma vez o livro, também cheia de seriedade e interrogações. A fome de deglutir o texto ainda não me esgotou, e não consigo deixá-lo. O narrador disfarçado de escritor ou o escritor, de narrador, não sei, me inclui num jogo fascinante desde o primeiro parágrafo, em busca de uma história, que em algum tempo ele diz inventou. Tal história é suficientemente adiada pela irônica modéstia de quem conta. Vem a desculpa de não saber escrever histórias para crianças, leitores virtuais do livro. A protelação para chegar à narrativa do menino prenunciado nas imagens, a partir da capa, ainda gera a mesma doce angústia da espera prazerosa da primeira leitura. O prazer não é futuro, no entanto, já é, ...

Extasis del renacido

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A poesia de Rolando Toro traz as marcas do pensamento fundador da Biodanza, um sistema de integração baseado na poética do encontro, um modelo de desenvolvimento do potencial humano, que se alimenta da dança, da música, do movimento. Um de seus livros, “Extasis del renacido”, infelizmente ainda não traduzido nem publicado no Brasil, mostra um vislumbre dessa vivência em poesia. Criei afeto por seus textos e em relação a alguns de seus temas prediletos em versos apaixonados. Os poemas são orações de quem tem um olhar atento sobre as notícias do mundo, mas não perde a esperança: “Mi deseo es tu deseo/Tu deseo e mi deseo/Que el Paraíso no sea un sueño.../Pues tan sólo un relámpago de/violencia contra nuestro hermano/basta para que se apague la sonrisa...” São canções de quem canta “... Durante las migraciones/a las tierras del amor...” , de quem sabe “... que somos dos viajeros/en el mismo/destartalado ómnibus/del universo.” Ler o seu livro é pinçar versos onde o poeta se reco...

Recomeço de Zazo

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“Recomeço vem celebrar trinta anos de estrada musical de Zazo, o Nego. Inclui algumas canções escritas num momento de muita dor e sofrimento, mas também valoriza as oportunidades de começar de novo que o Pai nos dá.” Esta é a apresentação do novo Cd solo de Zazo: Nego & Amigos – Recomeço . Embora todas as canções sejam do Zazo, há participações mais do que especiais, de Rubão Lima, Gláucia Carvalho, Hélvio Sodré, Silvestre Kuhlmann e o grupo de que ele faz parte, Céu na Boca. Sem falar na participação de Dorine (Doca), Aline e Wilson, a família do artista, mais do que talentosa. Impossível não destacar também as contribuições dos arranjadores convidados, Marco Fernando, Marcus Américo, Denize e Toninho Zemuner. É convidando amigos que Zazo distingue a vida, a música, a alegria de recomeçar sempre, a relação com o Pai, o ofício de cantador das boas coisas da vida. O tom é de esperança de quem deixa pra trás episódios de dores intensas. “Só pra lembrar: o que passou, passou...