Crônicas da criação III, IV e V
Ué... Três dias numa crônica
só? É, não tem aquela parte de que no sétimo descansou? Então, não vejo a hora.
Mas, tirando o cansaço, há alguns avanços.
À medida que os dias passam nesse tipo de adaptação, a tática é introduzir gradativamente a
visualização, quando surgem boas oportunidades. No nosso caso, o contato visual
ocorreu sem bons resultados no começo de tudo, então precisávamos acertar.
Mafalda, a cada novo dia, se
apercebia mais e mais dos cheiros do gatinho pela casa toda e desconfiava de
que algo estava diferente. Tinha alguma presença estranha na jogada, sentida em
odores a que se acostumou devagarinho.
Então, no quarto dia, deixei que ela observasse
o gato dormindo à distância. A bufada reapareceu, um grunhido
estranho e o pelo eriçado. Ela estava visivelmente estressada. Entre ela e o
gato sonolento, fiquei de cócoras conversando. O google disse que é bom
conversar. Me senti mais normal. Acho mesmo que os gatos respondem quando falo.
E funcionou. Ela acalmava assim.
Planejei pequenos episódios
de conexão visual desse tipo. Quando o estresse se avizinhava, voltávamos para
a estratégia de cada um no seu quadrado.
No quinto dia de ensaios de
conexão de olhares, ficamos os três no chão frente a frente. O gato, no meu
colo, porque ele não sabe de nada, tadinho, e vai andando pra lá e pra cá
sentindo-se em casa, ainda bem. A Mafalda é que sofre de estranhamentos.
Sentamos em silêncio reverente, como monges, com certa distância, por um
tempinho mágico, sem nenhuma bufada da gata, sem nenhuma dispersão do gatinho.
Fiquei aliviada. Estava tudo indo bem. Cada um na sua e eu também.
Ah, achei um nome para o
bichinho: Naum. Com licença profética, é claro. Disse o meu pai, que Tia Odila
teve um gato com esse nome. Ninguém na família confirmou. Mas, como acho que minha
afeição pelos felinos veio dessa veia da família, pelo sim, pelo Naum, é o
nome escolhido. E descobri que quer dizer “consolação”. Não é um bom nome?
Assim foram as tardes e as
manhãs do terceiro ao quinto dia.
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