Crônicas da criação II
Acessei os arquivos do google sobre adaptação de gatos. Fiquei confusa com tanta dica. Melhor era ativar a tecla bom senso diante do que estava armado.
Entendi que precisava separar os gatos. Cada qual no seu
quadrado. Mafalda já tinha o dela, mais de um. Agora precisava delimitar o
espaço possível para o novo amigo. Acordei cedo e organizei um ambiente
tranquilo pra ele. Restrito, como cabia, no banheiro social. Um espaço pequeno,
pouco frequentado pela anfitriã.
A dica melhor do google: eles não podem se ver nessa fase.
É preciso deixar que sintam apenas os novos cheiros um do outro para, quem sabe,
se acostumarem a uma nova presença.
Muito bem. Lá estava eu, malabaristicamente impedindo que
os dois se vissem. Enquanto Mafalda dormia em um dos cômodos, eu fechava a
bichinha lá dentro e soltava o gato para conhecer o ambiente aos poucos. Tinha
medo de pisar nele, tão novinho. Mas ele tem desenvoltura e andava bem pela
casa, vivenciando os cheiros e os meus tratos, numa miação, como se eu fosse a
mãe dele. Ai, ai, ai... já estou em outra fase, e essa imagem me apavorou.
Depois fazia o contrário. Enquanto ele dormia em seu
quartinho, eu soltava a Mafalda e lhe dava a atenção costumeira e o acolhimento
por suas visíveis sensações alarmadas com os cheiros diferentes no ar. Tinha
hora que ela bufava pra mim. E eu, que nem sei falar alto, pensei em correr pra
rua, e deixar o pau quebrar. O Covid
que não deixou.
Estava em home office e planejando escrever e manter outros
projetos, o tempo um pouco mais ocioso, novos desejos de escrevinhação e
invencionices. Me vi tentando equilibrar tudo e cheguei ao final do dia exausta,
sem querer ouvir nenhum miado.
Mas, apesar do cansaço, a estratégia parecia funcionar.
Mafalda aos poucos se achegou de novo e voltou a se sentir à vontade em casa,
dormindo ao meu lado à noite e aceitando a adaptação. E o gatinho? Ah, é quase
gente boa, só não é mais porque é felino também. Mas parece que está curtindo
tudo.
Foi assim a tarde e a manhã, o segundo dia.
Amiga essa parte da miação atrás de mim é que me enlouquece. O meu gato já mia demais atrás de mim hahaha. Vou confessar uma coisa! Amo gatos mas tenho medo! Ao primeiro sinal de unhadas e mordidas, eu já abracei a Covid e fugimos juntos! hahaha
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