Je vole
Je vole é o título da canção de Michel Sardou, que marca
várias cenas do filme francês “A família
Bélier”.
O drama-comédia é dirigido por Eric Lartigau e trata
de uma situação recorrente em produções sobre conflitos familiares de adolescentes.
Uma garota da zona rural francesa se descobre, sob a influência de um professor
de música, com um talento especial para cantar, que pode mudar radicalmente sua
história junto à família, levando-a a ingressar em um novo estilo de vida.
Seria inexpressivo se estivesse reduzido a esse
enredo. No entanto, a protagonista é a única falante da família. Os outros
membros são surdos e mudos. Ela é a porta-voz do grupo, inclusive nos negócios
agropecuários da família, mediando a relação dos pais com a comunidade rural onde
estão inseridos.
Em meio à descoberta do talento pessoal e do prazer
que isso lhe desperta, Paula (Louane Emera)
se percebe envolta no conflito de caminhar em direção oposta
aos interesses da família. Num primeiro momento, opta por se ajustar às expectativas
dos pais, mantendo a rotina familiar, tentando conciliar seus sonhos pessoais
com os interesses deles. Mas isso se torna insustentável, e ela abandona o
canto.
No entanto, o “estrago” já se instalara em cada um deles, a partir da consciência de que a dinâmica familiar, até então aparentemente perfeita, estava adoecida e havia sido abalada pelas novas realidades vividas pela protagonista.
No entanto, o “estrago” já se instalara em cada um deles, a partir da consciência de que a dinâmica familiar, até então aparentemente perfeita, estava adoecida e havia sido abalada pelas novas realidades vividas pela protagonista.
Interessante é a cena final em que ela canta a canção
citada acima. Seu talento atinge maior pungência quando incorpora a singularidade da língua de sinais, dialeto de sua casa, à interpretação da canção. Nesse momento, não só manifesta uma maior expressividade no canto, como afirma seu desejo aos pais, e eles, que não conseguiam ouvir sua voz nem seu canto,
entendem que ela precisava voar: Mes chers parents, je pars/ Je vous aime mais
je pars.../... Je n'm'enfuis pas, je vole/ Comprenez bien, je
vole…
Um desafio permanente para todo crescimento pessoal:
voar, sem perder raízes. Isso exige grande coragem e empenho.
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