cesto de junco
deslizando
o Nilo
me vi pleno
de destino
dois seios
maternos, duas margens de um rio
projetos de
vida divisores de águas vermelhas
de um mar
por onde ainda andei
cajado e
pastor no peito
amor de
rebanho e herança
das terras
de gósen, mãos de escravos
cravos nas
mãos, estalo das cordas
de
capatazes, lamento dos olhos
peitos
vorazes por ventre livre
na mente,
senhor, ciência e sina
manjares
inalando suores
de meus
irmãos um dia
filho da
filha de um poder terreno
berço de
ouro e saberes
dominadores
foi ao
ver-me no espelho
da cena do
embate dos corpos
daqueles em
mim
que divisei
escolha
acolhi o
servo
dei-lhe o
domínio sobre
senhor e
jugo
porque eu
sou ali
larguei
capa e trono
deixei
haveres não reconhecidos
sacudi do
pé a poeira e o palácio
riqueza
distante
tesouro
estranho e valor a esmo
fugi
de quem não
podia ser
levei
comigo apenas
a mim mesmo
Comentários
Postar um comentário