cesto de junco


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deslizando o Nilo
me vi pleno de destino
dois seios maternos, duas margens de um rio
projetos de vida divisores de águas vermelhas
de um mar por onde ainda andei

cajado e pastor no peito
amor de rebanho e herança
das terras de gósen, mãos de escravos
cravos nas mãos, estalo das cordas
de capatazes, lamento dos olhos
peitos vorazes por ventre livre

na mente, senhor, ciência e sina
manjares inalando suores
de meus irmãos um dia
filho da filha de um poder terreno
berço de ouro e saberes
dominadores

foi ao ver-me no espelho
da cena do embate dos corpos
daqueles em mim
que divisei escolha
acolhi o servo
dei-lhe o domínio sobre
senhor e jugo
porque eu sou ali

larguei capa e trono
deixei haveres não reconhecidos
sacudi do pé a poeira e o palácio
riqueza distante
tesouro estranho e valor a esmo

fugi
de quem não podia ser
levei comigo apenas
a mim mesmo

FEMEAR/2014

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