Desassossego poético























A poesia chama em alta voz nas ruas
Grita a beleza em praças públicas
E suas músicas
Nas esquinas das grandes avenidas
Nas vias de entrada das cidades
Proclama os seus discursos de ternura.

Até quando vocês, endurecidos,
irão contentar-se com duros sentidos?
E vocês, insensíveis,
Terão prazer na insensibilidade de significados?
E vocês, tolos,
acolherão conhecimentos vazios?

Se abraçarem o meu convite
Lhes darei um espírito altissonante
E avivarei o melhor de seus pensamentos.

Vocês, porém, desprezam o meu convite
E não se importam quando estendo as mãos.
Rejeitam o meu chamado.

De minha parte lamento tal estagnação
Lastimo a paralisia que lhes abate
A desgraça que incorpora seus ouvidos
O véu que embaralha seus olhos
O fruto de suas rígidas maquinações
O pouco proveito de sua imaginação
A falsa segurança que destrói
O que lhes resta de humano
E a prisão da inquietude
Por desconhecer novos e leves destinos
Longe dos desatinos
De quem não toca o que é belo.

In: FEMEAR/2014
Ilustração de Pri Sathler


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