de que cor são seus olhos?


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I

das formas da memória fictícia
arrebato poemas
loucos e doces
que anunciam a cor de seus olhos
invadindo espectros do passado
presente
futuro.

do tom hermético
abrem-se múltiplas imagens
personagens que trazem
sempre
ínfimas marcas
e alimentam o meu fazer poemas.
há um tom anzol neles
que se desfaz
caleidoscopicamente
reconfigurando
amores imaginários
amantes platônicos
que refazem você.

II
deu-se tão silencioso
tão estranhamente
como se estrangeiros fôssemos
o que sua boca não me dizia
tocavam-me os oblíquos olhares de vidro.

faltaram palavras
pra compor poemas em língua lusa
é preciso palavras
pra dizer poemas
uma imagem que não se desfaz em palavras
foi tudo o que restou pra dizer.

III
meus sentidos loucos me traziam olhos
de lentes que aumentavam desejos
ver no fundo o que queria.

os meus músculos inertes lembravam vontades
presas por correntes
do seu querer mal acabado.

os meus pensares anuviavam
quando seu sorriso
desmentia possibilidades.

só pressentia não poder
alfinetar baloons
de sua imagem que me perseguiam
na claridade do dia
na insanidade da noite
insone.

IV
daquele que vi
com olhos seus
sem os ter
guardo na lembrança imaginada
o som mistério de um flautim
que espantou ratos do meu porão.

música ao longe
longe das mãos
longe da voz
perto do medo de transpor
barreiras de concreto
entre
nossos gigantescos sentimentos.

restou a distância
o sabor do conto
que foi uma vez.

V
bem podia ser você de verdade
a desamortecer calores
entre dissabores
o prazer do encontro
o sabor do encanto
o saber enganos.

reacendeu paixões tantas e
doidas
todas juntamente
mas desdisse intenções
sucumbiu ao medo
que imaginei
pra não sentir desquerer indesejante.
De tudo ainda
um animoso amigo.

VI
inda hoje é assim
Na pele de cada objeto de desejo desexperimentado,
Você me queima.
Quando me queima de dia
o mar em corpo é água viva
e se me queima de noite
sua imagem é açoite
incandescente.

acreditei palavras
terapêuticas que são
calassem o calor
de sua ausente presença
mas
não é verdade
não é verdade
meus versos se alimentam
do prazer que adio em você
do sofrer sua distância
do sorver seus olhos
incendiando meus ouvidos
té atingir meu equilíbrio
e nunca a palavra em mim
esteve tão quente.

In: FEMEAR, 2014.

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