Para falar em Nelson Rodrigues
PARA falar em Nelson Rodrigues
Concluí a leitura de "O Casamento”[1]. Sei que
Nelson é leitura difícil e incomodativa para muitos. Não é em vão o nome que
Rui Castro deu à biografia desse polêmico autor: O anjo pornográfico.
Tirando os exageros rodrigueanos (que não atendem ao meu gosto pessoal), há que se considerar a sagacidade do escritor em expor as hipocrisias humanas. Ele fala do que acontece em todas as sociedades e famílias, sem dó, a vida como ela é. Talvez por isso mesmo choque alguns. A meu ver, mais do que pornográfico, é trágico. Mostra a sordidez que todos os humanos são capazes de vivenciar e de que em algum momento também se tornam vítimas.
Tirando os exageros rodrigueanos (que não atendem ao meu gosto pessoal), há que se considerar a sagacidade do escritor em expor as hipocrisias humanas. Ele fala do que acontece em todas as sociedades e famílias, sem dó, a vida como ela é. Talvez por isso mesmo choque alguns. A meu ver, mais do que pornográfico, é trágico. Mostra a sordidez que todos os humanos são capazes de vivenciar e de que em algum momento também se tornam vítimas.
O livro relata acontecimentos das quarenta
e oito horas que antecedem o casamento da filha mais nova do Dr. Sabino. Nesse
curto período são citados casos de incesto, adultério, alcoolismo, drogas,
homofobia, estupro etc. O livro é realmente nauseante. Mas provoca permanente
reflexão sobre as relações humanas.
Por exemplo, chama-me a atenção a constante referência que o narrador faz à morte do pai do protagonista e à forma como ela marcou suas impressões sobre a vida. O pai era a figura do "homem de bem" que não se mostrava humano. A morte dele, derramado em fezes, é o primeiro contato de Sabino com a falibilidade do pai e de si mesmo. Como ele parece em processo de se enxergar em sua humanidade perversa, a imagem retorna em vários momentos com intensidade. Em determinado momento, Sabino assume: "Eu amei meu pai nas fezes'. Sim, com as fezes, o pai assumira a sua plena miserabilidade..."
Por exemplo, chama-me a atenção a constante referência que o narrador faz à morte do pai do protagonista e à forma como ela marcou suas impressões sobre a vida. O pai era a figura do "homem de bem" que não se mostrava humano. A morte dele, derramado em fezes, é o primeiro contato de Sabino com a falibilidade do pai e de si mesmo. Como ele parece em processo de se enxergar em sua humanidade perversa, a imagem retorna em vários momentos com intensidade. Em determinado momento, Sabino assume: "Eu amei meu pai nas fezes'. Sim, com as fezes, o pai assumira a sua plena miserabilidade..."
Apesar de apreciar leituras que me façam
perceber que há esperanças para a miséria humana em suas múltiplas facetas, não
posso deixar de reconhecer a grandeza da obra e a coragem de Nelson Rodrigues
em escancarar as realidades mais vis de todos nós. Indico a leitura.
[1]
Indicação de leitura da curadora Heloísa Seixas para o Clube de Leitura “TAG
Experiências Literárias”, de que faço parte.
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