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chula de um reverso

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hoje tem espetáculo? tem, sim, sinhô é de noite, é de dia? é, sim, sinhô aproveita, moçada! não vale quase nada basta sentar na bancada ninguém quer ir embora é que qué espiá e aquele que chora? deixa pra lá. e a moça que namora? vai vê qué casá e o palhaço quem é? é uma mulhé e o palhaço quem é? é uma mulhé. e o palhaço, quem foi? foi, foi, foi hoje tem espetáculo? tem, sim, sinhô é de noite, é de dia? é, sim, sinhô e a plateia na janela? dá bem nela! e a velha no portão? com cara de provação hoje tem forrobodó? tem, sim, sinhô é em qual rua? é na sua, é na sua hoje tem arrelia? anda tardia é de perna-de-pau? é de pedra, é de pau ó, raio de sol, já suspende a lua óia a mulhé sozinha no meio da rua olê-lê ô, seu Mestre vai pra frente, faz o teste olê-lê, sim, sinhô a gente a apanhô olê-lê, seu nazareno num é pecado pequeno arrocha a moçada uh, uh! e dá-lhe pedrada uh, uh! o mestre desfez ...

um certo joão

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  foi à espera de certo João certo, ao certo, mas ser todo dúvida no útero de um pai a gravidez anunciada gera o tempo do medo placenta nutrindo busca de concretude semente temporã, de ventre em aridez e estio no avançar da desesperança como oferecer incenso? como segredar poesia imerso em interrogações? a força do desejo esqueceu o intercurso da fé que gera a vida amorosamente apegou-se ao fórceps da vitória sobre a morte da insegurança economia do prazer profecia pariu silêncio mudez assustada quietude aprisionante na procura da certeza desesperou-se a alegria porque a alma talvezava gerando túmulos mas criação se fez um dia rompendo manhã interrompendo a voz hibernada em caverna perplexo sono invernal e você, menino, converteu primeiro o pai inaugurando batismos voz do que clama da morte para a vida FEMEAR/2014

cesto de junco

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deslizando o Nilo me vi pleno de destino dois seios maternos, duas margens de um rio projetos de vida divisores de águas vermelhas de um mar por onde ainda andei cajado e pastor no peito amor de rebanho e herança das terras de gósen, mãos de escravos cravos nas mãos, estalo das cordas de capatazes, lamento dos olhos peitos vorazes por ventre livre na mente, senhor, ciência e sina manjares inalando suores de meus irmãos um dia filho da filha de um poder terreno berço de ouro e saberes dominadores foi ao ver-me no espelho da cena do embate dos corpos daqueles em mim que divisei escolha acolhi o servo dei-lhe o domínio sobre senhor e jugo porque eu sou ali larguei capa e trono deixei haveres não reconhecidos sacudi do pé a poeira e o palácio riqueza distante tesouro estranho e valor a esmo fugi de quem não podia ser levei comigo apenas a mim mesmo FEMEAR/2014

a mão no tabuleiro

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abre os braços ao rés do tabuleiro sob as mãos o peso de toda história retalhos quadrados no quadro do madeiro revezam o branco e o preto da memória contradança acertos tropeços quase impensados pensadamente troca de passos, avanço de peças cerca ideias, discerne o inocente é tão belo e tão profundo o concerto o revés armado de parceria mão vazia com planos encobertos ensaia arte-visão em calmaria sonho do enlace de um lance final a corte em jogo de fina andança figura-fundo contraste formal opõe cores, não separa aliança melodia silente segreda partilhar e renova o compasso da vida sereno repouso onde a mão colocar o rei início de nova partida FEMEAR/2014

na ilha

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tanto tempo passou sem forma tecido imaginei um dia a linha que entrelaça, tanta a sina assim alcançaria? teço o dia a acalentar a lida sonhando a vida, desteço a noite. colho cores, realço sons o tear sempre a cada dia tanto vai e tanto vem, tanto as mãos não sabem calmaria. teço o dia a acalentar a lida sonhando a vida, desteço a noite. os tons se entrecruzam em mim suavizam   calor do dia texturas se entrefazem, tantas mas trabalho sem companhia. teço o dia a acalentar a lida sonhando a vida, desteço a noite. traço entremeios com o batente sempre a   lançadeira do dia lã e fio tecelão, tantos tecem riscos, bordam a via. t eço o dia a acalentar a lida sonhando a vida, desteço a noite. FEMEAR/2014

Canções do Exílio

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III   Como um sonho Retornar do cativeiro Sorte se instaura Riso contagia lábios Língua proclama alegria Soando um canto De euforia E livramento O céu se enche de estrelas Os campos de flores Os bosques de vida A vida de amores Estar em nossa terra Feito coisa grandiosa Como grande é Encher-se um rio no deserto Ou recolher muitos feixes Com mãos que um dia Semearam lágrimas De onde brotam sementes De novos sons A boca uma vez suspirou lamento Hoje traz contentamento Cantos de colheita Balançam galhos aqui e lá Nossa terra atrai primores Porque canta o sabiá Em cismar novas cantigas É dia ainda Vamos cantar. FEMEAR/2014.

Canções do exílio II

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II Pode-se fazer canção Em terra estrangeira? Pode a lira brotar Em cidade estranha? Será que há esperança De reviver a lembrança Que um passado visitou? Haverá um futuro Planos a mais Plenos de paz? É preciso guardar o hoje Construir um lugar Tempo de habitar Fazer chão Plantar jardim Comunhão colher Cultivar canção Exógena canção Exótica lira De vida no presente Pacientemente Mas haverá esperança E um futuro Planos de paz Avistar palmares Divisar palmeiras Onde cantem sabiás. In: FEMEAR/2014