chula de um reverso


Hoje tem marmelada?

hoje tem espetáculo?
tem, sim, sinhô
é de noite, é de dia?
é, sim, sinhô

aproveita, moçada!
não vale quase nada
basta sentar na bancada
ninguém quer ir embora
é que qué espiá
e aquele que chora?
deixa pra lá.
e a moça que namora?
vai vê qué casá
e o palhaço quem é?
é uma mulhé
e o palhaço quem é?
é uma mulhé.
e o palhaço, quem foi?
foi, foi, foi

hoje tem espetáculo?
tem, sim, sinhô
é de noite, é de dia?
é, sim, sinhô

e a plateia na janela?
dá bem nela!
e a velha no portão?
com cara de provação

hoje tem forrobodó?
tem, sim, sinhô
é em qual rua?
é na sua, é na sua

hoje tem arrelia?
anda tardia
é de perna-de-pau?
é de pedra, é de pau

ó, raio de sol, já suspende a lua
óia a mulhé sozinha no meio da rua

olê-lê ô, seu Mestre
vai pra frente, faz o teste
olê-lê, sim, sinhô
a gente a apanhô
olê-lê, seu nazareno
num é pecado pequeno

arrocha a moçada
uh, uh!
e dá-lhe pedrada
uh, uh!

o mestre desfez o teste
o sinhô não a julgô
atire a primeira pedra
quem nunca pecô
ó, raio de sol, já suspende a lua
óia a mulhé sozinha no meio da rua

mulhé, quem te condenô?
não há ninguém mais, não
o pedra-pedra acabô
com a graça do sinhô

In: FEMEAR/2014




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Riquezas do oceano

Um dilema monstruoso

Tito