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Universos de Comunhão II
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O VINHO A vinha está em flor... O fruto se anuncia pelos galhos todos embaraçados à parreira que páre as vides por onde corre a seiva por onde corre a vida por onde cor de vinho. De onde vem o suco da vide? Há de se pisar o lagar até solver sangue na uva até mover o sumo de vida como se destilando o pranto. Vide o bago em bagaço agora sonhando o vinho pra ser uva de novo. Fica o vinho novo no pote novo ao sabor de novidade de vida. O pote entretém o vinho polindo o tempero e a tinta até desprendê-lo bem tinto. Mas nem sempre o melhor vinho é o que o tempo guardou muito o melhor vinho é o que tem lembrança da seiva. Um anfitrião à mesa na mão um cálice de cor tinta de vinho novo vínculo que passa de mão em mão cálidas no mesmo cálice ao deguste do mesmo saber-se juntos. ...
Universos de Comunhão I
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O PÃO O Semeador saiu a semear... O grão gravida a terra ávida por se cobrir de trigo semente arauto de Vida só nascente em fruto se rendida à morte. Proveito da terra se faz em flor em fruto moço amanhã maduro em tempo de colheita recolhido à eira à beira de se debulhar. Precisa malhar o trigo e moer o grão germe carente de desfazer-se e modelado em massa. A mão que malha é a mesma mão que amassa a massa sem o levedo que dissimula mas com a graça que assa in natura e depura em fogo. Com quantos grãos se faz a massa de pão embora una em sabor? Uniforme se reparte com arte de repartilhar o pão se rompe em multiformes massas e mãos alimenta os ansiados. O pão dá força o pão dá vida o Pão da Vida o Pão nosso de cada dia nos dai hoje. In: FEMEAR/2014
redes
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passeio por entre praças da tela em transe ciberespaços hipertextos vozes incomunicam coletivamente um clic me liga ao mundo de vips, de bits, de ais escondidos monitoro traços perfis envios quem não vejo, acesso quem não toco, conecto não toco, não vejo a não ser espectros janela a um gigabyte daqui areópago ares é exaltado encontra templo virtual falar, falar a qualquer custo ver, ver a qualquer preço um avatar há uma rede que apanha enlaça nautas com cuidados de bits inter-esses entre altares de Ares em canto da infovia encontro: ”Ao Deus Desconhecido” pseudo-adorado, pouco encontrado mensagem deletada comandos perdidos não recuperados o acesso é gratuito como um clic mas não se alcança com mouses pois além de telas teclas janelas publica um post amoroso aplicativo de uma nova rede além da net somente intra inter gente
Desassossego poético
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A poesia chama em alta voz nas ruas Grita a beleza em praças públicas E suas músicas Nas esquinas das grandes avenidas Nas vias de entrada das cidades Proclama os seus discursos de ternura. Até quando vocês, endurecidos, irão contentar-se com duros sentidos? E vocês, insensíveis, Terão prazer na insensibilidade de significados? E vocês, tolos, acolherão conhecimentos vazios? Se abraçarem o meu convite Lhes darei um espírito altissonante E avivarei o melhor de seus pensamentos. Vocês, porém, desprezam o meu convite E não se importam quando estendo as mãos. Rejeitam o meu chamado. De minha parte lamento tal estagnação Lastimo a paralisia que lhes abate A desgraça que incorpora seus ouvidos O véu que embaralha seus olhos O fruto de suas rígidas maquinações O pouco proveito de sua imaginação A falsa segurança que destrói O que lhes resta de humano E a prisão da inquietude Por desconhecer novos e leves destinos Longe do...
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há tempo pra tudo debaixo do sol tempo de falar tempo de calar o tempo hoje é de cala mi dar grande estado de poesia g estação a palavra vem daqui a pouco silêncio reverente adormecer sem desejos entre a palavra e eu ternura sinto o que sinto maior do que a palavra pode dizer ou a palavra é tanta que o que sinto não pode se falar busco-me palavra a palavra em mim se busca só nos diremos se lavro-me palavro-me In: FEMEAR/2014