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passeio por entre praças da tela em transe ciberespaços hipertextos vozes   incomunicam coletivamente um clic me liga ao mundo de vips, de bits, de ais escondidos monitoro traços perfis envios quem não vejo, acesso quem não toco, conecto não toco, não vejo a não ser espectros janela a um gigabyte daqui areópago ares é exaltado encontra templo virtual falar, falar a qualquer custo ver, ver a qualquer preço um avatar há uma rede que apanha enlaça nautas com cuidados de bits inter-esses entre altares de Ares em canto da infovia encontro: ”Ao Deus Desconhecido” pseudo-adorado, pouco encontrado mensagem deletada comandos perdidos não recuperados o acesso é gratuito como um clic mas não se alcança com mouses pois além de telas teclas janelas publica um post amoroso aplicativo de uma nova rede além da net somente intra inter gente

Desassossego poético

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A poesia chama em alta voz nas ruas Grita a beleza em praças públicas E suas músicas Nas esquinas das grandes avenidas Nas vias de entrada das cidades Proclama os seus discursos de ternura. Até quando vocês, endurecidos, irão contentar-se com duros sentidos? E vocês, insensíveis, Terão prazer na insensibilidade de significados? E vocês, tolos, acolherão conhecimentos vazios? Se abraçarem o meu convite Lhes darei um espírito altissonante E avivarei o melhor de seus pensamentos. Vocês, porém, desprezam o meu convite E não se importam quando estendo as mãos. Rejeitam o meu chamado. De minha parte lamento tal estagnação Lastimo a paralisia que lhes abate A desgraça que incorpora seus ouvidos O véu que embaralha seus olhos O fruto de suas rígidas maquinações O pouco proveito de sua imaginação A falsa segurança que destrói O que lhes resta de humano E a prisão da inquietude Por desconhecer novos e leves destinos Longe do...
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há tempo pra tudo debaixo do sol tempo de falar tempo de calar o tempo hoje é de cala mi dar grande estado de poesia g estação a palavra vem daqui a pouco silêncio reverente adormecer sem desejos entre a   palavra        e       eu                           ternura sinto o que sinto maior do que a palavra pode dizer ou a palavra é tanta que o que sinto não pode se falar busco-me palavra a palavra em mim se busca só nos diremos se lavro-me palavro-me In: FEMEAR/2014
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Poema "Luar do sertão" - In: FEMEAR/2014 Ilustrações de Jorge Costa Costa

Muro com paixões

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Olhos calçam óculos de medo Lentes embaçadas com farpas E chapiscos de artilharia Veste tecida com divisão Chapéu sob balões de quadrinhos Onomatopéias dos gestos De heróis loucos de um roteiro bélico De superiores desenhistas. Há um muro na cidade Um muro segredando distâncias Pés perseguem pista do amanhã Mãos acolhem barras do brinquedo Sorriso risca um leve enredo De breve e simples diversão Uma estória se inscreve no peito Camisa branca encobre Batida disritmada de um músculo Que pulsa saber-se parte Do mesmo chão. Há um muro na cidade Um muro murmura comunhão. In: FEMEAR/2014.

Manga-rosa

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Ilustração de Pri Sathler Em derradeiro galho Num alto distante Avisto uma manga-rosa Não uma A mais bonita Grávida de cores a madurar Longe do meu alcance. Há outras salpicadas Na mangueira de galhos fortes Abrindo abraços Pra todo lado Interrompendo o verde intenso Aqui e ali Mas meus olhos Em ponto-cego Se deslumbram Com aquele clarão doce No horizonte entre galhos e folhas. Talvez aventurasse uma escala Com o sol maior em companhia Colhendo-a à mão Feita à mão pra mim Ou precipitar caída Arriscada Riscando traçado incerto Rumo ao chão. Não Nem de outra forma e de nem uma. O tempo de colheita Ainda ausente Exige vagar Aguardo de cheiro amarelo-róseo Comparecendo inteiro Pleno de doçura E gosto descoberto De manga madura. In: FEMEAR/2014

Ode ao meu olho esquerdo

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(a José Paulo Paes) 1. olhos são lâmpadas do corpo abrem luz para os caminhos se não iluminam o passo trôpego acendem tumulto em todo o ego deslocam vulto redemoinhos 2. ó olho que caíste em retrovisão claro estilhaço vidro dilacerante em uma quase retina por muitas mãos passastes dedos a recolher os cacos presos à conjuntiva algum estrabismo ainda lhe restou a dupla imagem do mundo espelho de si a semi realidade a quase ilusão 3. tateio, toco permeio, noto enganos aqui estou escuro refúgio inerte lentes ausentes há uma venda um véu ainda por rasgar 4. dê-me óculos por favor alinhe a órbita dos meus olhos irregulares dê-me a mão mais uma vez se assim o tolerares me guie se me amares fui quase deficiente e ainda sou 5. cuspa em minha íris dá-me tua saliva vejo homens como árvores 6. a mão que toca canção atinge a menina dos olhos ...