Postagens

a mão no tabuleiro

Imagem
abre os braços ao rés do tabuleiro sob as mãos o peso de toda história retalhos quadrados no quadro do madeiro revezam o branco e o preto da memória contradança acertos tropeços quase impensados pensadamente troca de passos, avanço de peças cerca ideias, discerne o inocente é tão belo e tão profundo o concerto o revés armado de parceria mão vazia com planos encobertos ensaia arte-visão em calmaria sonho do enlace de um lance final a corte em jogo de fina andança figura-fundo contraste formal opõe cores, não separa aliança melodia silente segreda partilhar e renova o compasso da vida sereno repouso onde a mão colocar o rei início de nova partida FEMEAR/2014

na ilha

Imagem
tanto tempo passou sem forma tecido imaginei um dia a linha que entrelaça, tanta a sina assim alcançaria? teço o dia a acalentar a lida sonhando a vida, desteço a noite. colho cores, realço sons o tear sempre a cada dia tanto vai e tanto vem, tanto as mãos não sabem calmaria. teço o dia a acalentar a lida sonhando a vida, desteço a noite. os tons se entrecruzam em mim suavizam   calor do dia texturas se entrefazem, tantas mas trabalho sem companhia. teço o dia a acalentar a lida sonhando a vida, desteço a noite. traço entremeios com o batente sempre a   lançadeira do dia lã e fio tecelão, tantos tecem riscos, bordam a via. t eço o dia a acalentar a lida sonhando a vida, desteço a noite. FEMEAR/2014

Canções do Exílio

Imagem
III   Como um sonho Retornar do cativeiro Sorte se instaura Riso contagia lábios Língua proclama alegria Soando um canto De euforia E livramento O céu se enche de estrelas Os campos de flores Os bosques de vida A vida de amores Estar em nossa terra Feito coisa grandiosa Como grande é Encher-se um rio no deserto Ou recolher muitos feixes Com mãos que um dia Semearam lágrimas De onde brotam sementes De novos sons A boca uma vez suspirou lamento Hoje traz contentamento Cantos de colheita Balançam galhos aqui e lá Nossa terra atrai primores Porque canta o sabiá Em cismar novas cantigas É dia ainda Vamos cantar. FEMEAR/2014.

Canções do exílio II

Imagem
II Pode-se fazer canção Em terra estrangeira? Pode a lira brotar Em cidade estranha? Será que há esperança De reviver a lembrança Que um passado visitou? Haverá um futuro Planos a mais Plenos de paz? É preciso guardar o hoje Construir um lugar Tempo de habitar Fazer chão Plantar jardim Comunhão colher Cultivar canção Exógena canção Exótica lira De vida no presente Pacientemente Mas haverá esperança E um futuro Planos de paz Avistar palmares Divisar palmeiras Onde cantem sabiás. In: FEMEAR/2014

Canções do exílio

Imagem
I Junto aos rios de nosso exílio Sentamos e choramos A falta de nossa terra Que pesava sobre o peito Nos salgueiros Penduramos instrumentos Tamareiras Esconderam nossos cantos Onde canta o sabiá? Não gorjeia, já não canta Também não pode voar Cantem, cantem Cantem-nos suas canções Alegrem nossos dias Com as canções de além-mar Como cantar Em terra estrangeira? Nosso céu tem mais estrelas Nossas várzeas têm mais flores Nossos bosques têm mais vida Nossa vida mais amores E assim à noite em cismas Choramos desprazer E saudade Permita Deus vivamos O tempo de ali estar Junto às palmeiras Onde canta o sabiá. In: FEMEAR/2014

diálogo com um amigo de jó

Imagem
jogando caxangá quem pode conter desgraças que tanto temo? quem pode medir o peso dos meus lamentos? quem pode entender  nuvens que estão no meu céu? quem pode espantar crocodilos dos meus sonhos? quem pode fazer menor a minha injustiça? que será de mim se Deus pensar em si? o que vou fazer com tamanho silêncio? guerreiro com guerreiro fazem zigue zigue zá In: FEMEAR/ 2014

Dignidade

Imagem
Sou ignorante Caminho sob o signo Do que é incógnito E minha cognição Não tem indignação Contra esse desígnio No mundo cognoscível É impossível designar Algo assim Tão magnético Ígneo E ao mesmo tempo Magnânimo Digno Agnus Dei In: FEMEAR/2014