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Canções do Exílio

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III   Como um sonho Retornar do cativeiro Sorte se instaura Riso contagia lábios Língua proclama alegria Soando um canto De euforia E livramento O céu se enche de estrelas Os campos de flores Os bosques de vida A vida de amores Estar em nossa terra Feito coisa grandiosa Como grande é Encher-se um rio no deserto Ou recolher muitos feixes Com mãos que um dia Semearam lágrimas De onde brotam sementes De novos sons A boca uma vez suspirou lamento Hoje traz contentamento Cantos de colheita Balançam galhos aqui e lá Nossa terra atrai primores Porque canta o sabiá Em cismar novas cantigas É dia ainda Vamos cantar. FEMEAR/2014.

Canções do exílio II

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II Pode-se fazer canção Em terra estrangeira? Pode a lira brotar Em cidade estranha? Será que há esperança De reviver a lembrança Que um passado visitou? Haverá um futuro Planos a mais Plenos de paz? É preciso guardar o hoje Construir um lugar Tempo de habitar Fazer chão Plantar jardim Comunhão colher Cultivar canção Exógena canção Exótica lira De vida no presente Pacientemente Mas haverá esperança E um futuro Planos de paz Avistar palmares Divisar palmeiras Onde cantem sabiás. In: FEMEAR/2014

Canções do exílio

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I Junto aos rios de nosso exílio Sentamos e choramos A falta de nossa terra Que pesava sobre o peito Nos salgueiros Penduramos instrumentos Tamareiras Esconderam nossos cantos Onde canta o sabiá? Não gorjeia, já não canta Também não pode voar Cantem, cantem Cantem-nos suas canções Alegrem nossos dias Com as canções de além-mar Como cantar Em terra estrangeira? Nosso céu tem mais estrelas Nossas várzeas têm mais flores Nossos bosques têm mais vida Nossa vida mais amores E assim à noite em cismas Choramos desprazer E saudade Permita Deus vivamos O tempo de ali estar Junto às palmeiras Onde canta o sabiá. In: FEMEAR/2014

diálogo com um amigo de jó

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jogando caxangá quem pode conter desgraças que tanto temo? quem pode medir o peso dos meus lamentos? quem pode entender  nuvens que estão no meu céu? quem pode espantar crocodilos dos meus sonhos? quem pode fazer menor a minha injustiça? que será de mim se Deus pensar em si? o que vou fazer com tamanho silêncio? guerreiro com guerreiro fazem zigue zigue zá In: FEMEAR/ 2014

Dignidade

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Sou ignorante Caminho sob o signo Do que é incógnito E minha cognição Não tem indignação Contra esse desígnio No mundo cognoscível É impossível designar Algo assim Tão magnético Ígneo E ao mesmo tempo Magnânimo Digno Agnus Dei In: FEMEAR/2014

lamentações

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deserta está a cidade viúva errante lágrima descalça pelas calçadas descaminhadas muro humilhado inclinado ao chão paira nuvem sobre a cidade encobre desabitados jardins desfaleceu o coreto foge a banda da praça cantando coisas de amor as trancas das casas limitam inseguros infância esconde ruas jovens cheiram pó das quinas dos becos esquinas há um silêncio berrando sitiando a cidade balas achadas ao vento alvos descêntricos acertam ruína destruição o olhar do poeta desfalece a   pesar tomba a memória o que pode dar esperança sobre a nuvem o azul rabisca nova manhã ainda que deserta está a cidade In: FEMEAR/2014
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as imperfeições de Deus ou recanto agostiniano Deus, quem é você? quem é você? o senhor é indizível esse é o seu defeito mostra-se invisível ninguém compreende sua estabilidade invariavelmente produzindo mudanças não é novo não é antigo age sempre em descanso quer tudo e nem precisa de nada completo e buscando algo ama com ardor sem desassossego volta atrás sem arrependimento desfaz a ação mas não a resolução acha sem ter perdido recebe ainda que não precise de nada não deve a ninguém mas paga nunca perdeu ou ganhou mas tem devedores quem é você, Deus? quem sou eu? In: FEMEAR/2014